Translate
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A culpa
cometi um erro.
Canalha!!!
Aponta-me o superego.
Isto não se faz!
Acusa-me minha alma,
perturbada e quase confusa.
Sou o mais vil dos cafagestes,
Me resta apenas a dor
Quebrei valores...(e como dói)
Aparentemente entregue ao pranto
Emerge a contradição;
Como assim não posso errar?
Quem és tu para com seus valores me julgar?
Cafageste, canalha, pilantra...
Adjetivos,
Pequeno burguês,
Que velam as fraquezas do ser
E fazem a morte mirar.
O que farei com ela?
Sei de onde vem,
Conheço pai e mãe
E isto não à ameniza
Tão profunda dor.
Não por isso é menos burguesa
Minha culpa,
Sua culpa,
Enfim nossa culpa!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Fatos inglórios
Procura incansavelmente
respostas, nem sabe ao que,
mas não desiste
ao contrário,
sempre persistente,
na luta diária,
que a vida
impõe.
Não nasceste
coroad@ com talco e brilhantes,
que pena,
perdeu
não há mais chances,
poucas oportunidades,
lhe será oferecida,
muito provavelmente,
terás um teto salarial,
que alcançaras,
sem precisar pular.
E pode ser,
que lhe garanta,
o “equivalente geral”,
tão sonhado
que talvez lhe permita,
ter acesso a “ração básica”,
necessária,
para se manter em pé
e feliz pela vida
que tem.
Por isso vivi sorrindo,
mesmo sem saber,
mas sentindo
que a felicidade
é um momento de espasmo
fortuito e breve.
Sinal vermelho,
fim da linha
patife, acomodad@
quiçá
numa mão a foice
noutra o martelo
mas amanhã, pois
hoje tem o fim da novela,
depois é preciso pagar a fatura
em seguida
levar o filho ao pet shop
não esquecer do analista
pode ser então
depois da leitura da revista?
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Eu
EU não quero!
O EU está voltado para o EU.
EU estou frustrado!
EU vou pensar!
O EU não tem limites.
EU quero ir!
EU estou chateado!
O EU é autoritário.
EU gosto assim!
Em meios a tantos EUs,
Onde está o
Curtas
Amar... Vamos?
Vamos amar sem compromisso!
Vamos amar só por amar.
Fazer amor sem ter amor;
Amar sem ser amado.
Roubar um beijo apaixonado;
Escrever um livro de amor.
Fazer amor a luz da lua!
Vamos amar a vida,
Pois ela é curta!
Vamos lutar pelo amor!
Vamos buscar o grande amor da nossa vida!
Vamos ter paciência quando somos amados;
Vamos fazer loucuras de amor;
Vamos ser amantes;
Vamos ser amados;
Para não nos tornar-mos
Seres humanos frustrados!
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Encontro fortuito
Rasgo o tempo
sobre trilhos
encurtando passos,
na confusa metrópole.
É verdade que
estudar me propus,
nos rangidos do trem,
mesmo sabendo
já não ser possível,
no primeiro olhar.
Um metrô,
no segundo,
perturbação completa,
no terceiro, entramos.
Fecha-se a porta, agora
Lado a lado
destino?
Não.
Probabilidade inglória...
Pois neste momento,
agitado meu espírito,
do objetivo distancia-se
(estudar)
Química presença
intranqüiliza o ser.
...tu Sheylla!
De neve corada
e olhar penetrante
é simplesmente,
marcante.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Causa e efeito.
Às vezes criamos o caos
Perdemos-nos na simplicidade
Complexa que é a vida
Criamos labirintos
Para nos confortarmos
E assim não tomarmos decisões
Mas a vida prossegue
E o seu labirinto
Não é mais só seu
Você o partilhou
Ao sair da toca
E agora o que ira fazer?
Somente você tem o poder
De ascender ou apagar
A chama da paixão
Posta na alma!
Apenas
Tem dias
Que tudo é estranho
Intenso e
Confuso
Eu me sinto
Ao despertar de manhã.
Mal levanto
E me percebo
Exageradamente desejante
Da essência fumegante
Do desejo
Sem rosto
Sem nome
Sem cheiro
Apenas
Desejo,
De saciar
Desejo.
Beleza Negra
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Suicídio
tesão
ou
paixão,
nasci!
Pequeno,
belo
e divino
eis a criança.
Fruto
da fruta
proibida
pingo
de esperança.
Deram graças
e louvaram,
assim manda
a tradição.
Assim...
chorei,
sorri
e cresci.
Na família
“o lindinho”,
comilão,
educado,
bom menino.
Na escola
franzino,
estudioso,
por vezes
bonachão.
Na rua
brincalhão,
esperto
e atrevido.
Assim...
chorei,
sorri
e cresci.
Cursos,
estudos,
bolsas,
destarte,
me formei.
Namorei,
fiquei,
forniquei,
prazeres
descobri.
“Bicos”,
estágios,
profissão
um emprego,
carreira!
Assim...
chorei,
sorri,
e cresci.
Primeiro
colegas,
depois
amigos,
agora
casados.
Quem casa,
quer casa.
Sufoco,
luta
e conquista.
Um filho
dois.
Felicidade,
tudo perfeito.
Assim...
chorei,
sorri,
e cresci.
Humilhado,
desesperado,
vitimado
ou culpado?
Na vendinha,
na padaria,
na farmácia,
só ouve
não!
Procura emprego
todo dia,
pra família
fracassado,
no espelho
é o que vê.
Desempregado,
sem família,
sem saída,
sem sentido.
Na estação,
olho os trilhos,
vejo o metro
avizinhar.
Assim...
chorei,
sorri,
cresci,
morri!
e daí?
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Biografia a Lua
Negro Jesus
Saber se é o bem ou mal que impera;
No coração dessa gente,
Pecadora, enganada e inocente;
Mas olha ai, se repetiu a história,
Veio como está gravado em nossa memória.
Um lugar onde tinha reis e rainha,.
Bestas, boas e más companhias.
Não escolheu o luxo, e nem se banhar em riquezas,
Nasceu em meio ai lixo e amargou a pobreza
Maria sua mãe coitada mulher
Pé inchado desempregado, esse era José.
Seu nascimento em meio aos bichos
Ratos e baratas por causa do lixo.
Nada de reis magos ao nascer
Era mais um negro pobre, no mundo a padecer.
Acredito que não é esta, a vida que pediu ao pai
Voltar atrás não, é tarde demais.
Maria nem José educaram o menino,
Negro, nariz escorrendo, descalço, no farol pedindo
José e Maria, Maria e José
Olharam o menino por causa da fé
Jesus, duramente na favela cresceu,
José, desfrutando o banquete da miséria
Não agüentou e morreu
Maria toda noite pedia ao pai,
Olhe os filhos, de todas as mães
Que como eu, olham por seus meninos
Negro Jesus não era fã de escola
Quando podia, matava aula e batia uma bola.
Com 16, parou de estudar,
Precisava de trabalho para não desandar
Era um jovem inteligente
Mas era negro e pobre não chega a ser gente,
Nesse mundo burguês e racista
Conseguiu emprego? Não, nem precisa de pista
Até os 23 por sua mãe, ser honesto tentou
O mundo tem muitas armadilhas,
O carro, a marca da roupa, a cor da pele
A luxuria e a TV, oferecendo tudo isso
Mas ai é pura ilusão
Negro Jesus, agora é ladrão
Adquiriu respeito!
É Jesus Cristo na favela
Agora é ele que manda e cuida dela
Tem seu carro, sua casa, respeito
Tem a luxuria que queria
Negro Jesus novo herói, pra periferia.
Roubava banco, traficava,
Tinha funcionário, mandava .
Nóia botava pra correr
Na fúria o destino era morrer.
Nasceu no mundo errado,
Pobre negro Jesus coitado.
Começou sua caminhada aos 23
Com a vida que levava não chegou a 33
26, foram 3 anos de glória,
Muito bandido em sua mira, ficou na memória.
Jesus um dia teve coração
Esse, se perdeu no mundão
Maria como nunca
Por seu filho rezava,
Com fé o terço orava.
Por outro lado Maria comia
Não era apenas Maria
E sim Dona Maria
Mãe, do respeitado e temido Negro Jesus
Mãe se Jesus perguntava:
Se ele ta errado?
Deveria ele viver na miséria desempregado?
A fé que tinha a levava a honestidade
Em discussões com Jesus dizia:
Meu filho isso não é felicidade!
Maria sabia que tudo um dia iria acabar
Ela poderia somente chorar.
O negro sabia que carregava uma pesada cruz
Que tinha muita gente querendo o lugar dele
Jesus, dormia com um olho aberto e o outro fechado
Sabia que iria cair, estava preparado
Com a arma engatilhada, pronto para enfrentar
Todos que a sua vida ousasse a ameaçar
Era madrugada, Maria rezava, Jesus distraído
Não é longa nem feliz a vida de bandido
Traído foi Negro Jesus, filho de Maria
Jesus Cristo da Silva!
É finado na periferia.
Maria chorando sabia,
que se oportunidades não fossem negadas,
O fim, talvez, não seria assim.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Insanidades Confusas
Profano!
Louco!
Depravado!
**
Muitos acusam o poeta,
pois versou o ato
naturalizando o fato
delicioso,
que a hipocrisia vela;
O verso desvela.
Mãos, corpos, beijos
caricia, suor e tesão!
O sexo é bom e gostoso
ou será que não?
***
Mas acusam o poeta,
o presenteiam com a censura,
gritam que falta ternura:
Na mão que empunha o pênis;
na língua que purifica a xana;
no grito que atravessa a porta;
no espelho que reflete os corpos;
no gozo que escorre as coxas.
****
Os versos ganham rótulos
Pornográficos!!!
Não permitidos para menores ,
como assim?
Bater uma siririca,
cair de boca,
cavalgar alucinadamente
ou gozar múltiplas vezes.
Pensar e desejar é permitido,
mas falar jamais!
*****
É um pecado mortal,
descrever a cena
do seu corpo nu,
planando na cama,
refletindo desejo,
no espelho do teto.
Naquele momento que os olhos
viram e se perdem ao longe,
os dedos dos pés se retorcem todos,
as unhas cravam
desesperadamente as costas
e do quarto ao lado se ouve:
******
- VAI!
- DELÍCIA!
- GOSTOSA!
- MAIS RÁPIDO!
- COMO TA DURA!
- PUTA!
- NÃO PARA!
- CARALHO!
- BUCETA!
- VOU GOZAR...
- TAMBÉM...
*******
Agora foi longe demais!
Indigna-se o leitor.
Espere um instante.
As coisas parecem confusas,
indaga-se o poeta.
Será EU insano?
E a duvida lhe consome,
não na mesma rapidez,
que a fome!
Que assola e castiga
crianças, mulheres e homens,
nos lares, ruas, esquinas e praças.
Mas você não percebe quando passas,
apressado com os seus afazeres,
que lhe torna distante
das agonias alheias.
********
Afinal são importantes
as suas prioridades,
não nego.
Nem ao menos renego,
a sua insatisfação,
plena,
com as estrofes anteriores,
que muitos julgam escandalosas.
*********
Estatísticas, números e dados,
noticiados todos os dias,
geram ponto no IBOPE
e muito lucro para a TV.
Violentas,
mortes e mais mortes,
mas só as transmitidas indignam você.
**********
Dois pesos e várias medidas,
o que é mais nocivo,
melhor dizendo produtivo,
a sua indiferença.
À AIDS que avassala a África
ou sua revolta
para com os versos
que julgas infame,
do confuso pateta,
que não compreende,
nem entende,
como achas natural
crianças gerando crianças
no embalo lucrativo
da exploração cultural do sexo.
***********
Melancia, morango ou filé,
só na tela,
daquele casebre distante
onde Judas,
já se encontrava nu,
com anemia, subnutrido e esquecido
até por ti.
Apesar dos pesares,
nada disso lhe causa revolta.
Estranha o poeta...
Tijolo, pedra, areia e cimento.
Um ano,
opa!
Foi num instante.
O passado,
já foi.
O presente,
ta indo.
O futuro,
chegando.
O que fizemos?
O que estamos fazendo?
O que iremos fazer?
Não sei!
Não sei!
Não sei!
Nada é igual,
tudo mudou.
A jornada não esperou
Está calmo ou ta morrendo?
Vejo reflito e não entendo.
Espere um minuto,
minuto perdido.
Triste rotina;
Infeliz rotina?
Pregados na cruz?
Ou vivendo o calvário?
Cimento, areia, pedra e tijolo
não é este o sentido da vida
tolos...
Tenho pressupostos, sobrepostos
Ou o mundo e eu?
Não... Apenas eu no mundo.
Pronto!
Interiorizada à práxis
de antemão exteriorizada,
mas não por menos
alienada, distanciada e estranhada.
Ultra-generalizo aquilo que vivo,
naturalizo as relações, pois
sempre foi, sempre será...
Ofereço meu desejo ao outro
que define se posso: como e quando.
Meus valores!
que já existiam antes de mim, externos
Me dizem:
REPRIMA!
DESLOQUE!
E assim sigo fruto da síntese
do produto humano...
Achando que sou único
gabando-me da minha existência,
horas-bola:
Apenas meus
pressupostos,
sobrepostos ...