quarta-feira, 24 de junho de 2009

Insanidades Confusas

*
Profano!
Louco!
Depravado!

**
Muitos acusam o poeta,
pois versou o ato
naturalizando o fato
delicioso,
que a hipocrisia vela;
O verso desvela.
Mãos, corpos, beijos
caricia, suor e tesão!
O sexo é bom e gostoso
ou será que não?

***
Mas acusam o poeta,
o presenteiam com a censura,
gritam que falta ternura:
Na mão que empunha o pênis;
na língua que purifica a xana;
no grito que atravessa a porta;
no espelho que reflete os corpos;
no gozo que escorre as coxas.

****
Os versos ganham rótulos
Pornográficos!!!
Não permitidos para menores ,
como assim?
Bater uma siririca,
cair de boca,
cavalgar alucinadamente
ou gozar múltiplas vezes.
Pensar e desejar é permitido,
mas falar jamais!

*****
É um pecado mortal,
descrever a cena
do seu corpo nu,
planando na cama,
refletindo desejo,
no espelho do teto.
Naquele momento que os olhos
viram e se perdem ao longe,
os dedos dos pés se retorcem todos,
as unhas cravam
desesperadamente as costas
e do quarto ao lado se ouve:

******
- VAI!
- DELÍCIA!
- GOSTOSA!
- MAIS RÁPIDO!
- COMO TA DURA!
- PUTA!
- NÃO PARA!
- CARALHO!
- BUCETA!
- VOU GOZAR...
- TAMBÉM...

*******
Agora foi longe demais!
Indigna-se o leitor.
Espere um instante.
As coisas parecem confusas,
indaga-se o poeta.
Será EU insano?
E a duvida lhe consome,
não na mesma rapidez,
que a fome!
Que assola e castiga
crianças, mulheres e homens,
nos lares, ruas, esquinas e praças.
Mas você não percebe quando passas,
apressado com os seus afazeres,
que lhe torna distante
das agonias alheias.

********
Afinal são importantes
as suas prioridades,
não nego.
Nem ao menos renego,
a sua insatisfação,
plena,
com as estrofes anteriores,
que muitos julgam escandalosas.

*********
Estatísticas, números e dados,
noticiados todos os dias,
geram ponto no IBOPE
e muito lucro para a TV.
Violentas,
mortes e mais mortes,
mas só as transmitidas indignam você.

**********
Dois pesos e várias medidas,
o que é mais nocivo,
melhor dizendo produtivo,
a sua indiferença.
À AIDS que avassala a África
ou sua revolta
para com os versos
que julgas infame,
do confuso pateta,
que não compreende,
nem entende,
como achas natural
crianças gerando crianças
no embalo lucrativo
da exploração cultural do sexo.

***********
Melancia, morango ou filé,
só na tela,
daquele casebre distante
onde Judas,
já se encontrava nu,
com anemia, subnutrido e esquecido
até por ti.
Apesar dos pesares,
nada disso lhe causa revolta.
Estranha o poeta...

Tijolo, pedra, areia e cimento.

É longa a caminhada ao lugar distante
Um ano,
opa!
Foi num instante.
O passado,
já foi.
O presente,
ta indo.
O futuro,
chegando.
O que fizemos?
O que estamos fazendo?
O que iremos fazer?
Não sei!
Não sei!
Não sei!
Nada é igual,
tudo mudou.
A jornada não esperou
Está calmo ou ta morrendo?
Vejo reflito e não entendo.
Espere um minuto,
minuto perdido.
Triste rotina;
Infeliz rotina?
Pregados na cruz?
Ou vivendo o calvário?
Cimento, areia, pedra e tijolo
não é este o sentido da vida
tolos...

Tenho pressupostos, sobrepostos

Eu e o mundo?
Ou o mundo e eu?
Não... Apenas eu no mundo.
Pronto!

Interiorizada à práxis
de antemão exteriorizada,
mas não por menos
alienada, distanciada e estranhada.
Ultra-generalizo aquilo que vivo,
naturalizo as relações, pois
sempre foi, sempre será...

Ofereço meu desejo ao outro
que define se posso: como e quando.
Meus valores!
que já existiam antes de mim, externos
Me dizem:
REPRIMA!
DESLOQUE!
E assim sigo fruto da síntese
do produto humano...

Achando que sou único
gabando-me da minha existência,
horas-bola:
Apenas meus
pressupostos,
sobrepostos ...

Simples Assim

Latejam pensamentos em minha mente inquieta
que com o ato-fato, que profanou os altares
onde repousa a descarada máscara da hipocrisia
não consegue estabelecer a calma e (apenas) desfrutar
degustando cada parte e saboreando o momento
do ato-fato!
Sim... causa-te saudade na carne e no espírito.
Ela vai ao céu, purificada no calor que emana dos amantes,
já ele encontra-se no inferno entregue
totalmente como oferenda aos prazeres
dos corpos não imaculados.
De onde vens? Pergunta o poeta
- Do ato-fato de um beijo.

Sapo

I
O velho girino ainda é girino,
entretanto já tem os pés
que sustentarão o novo sapo.

II
Sem suprimir a contradição
a negação da sociabilidade,
“só um pouquinho burguesa”
leva a minha negação
não superada,
apontando e trazendo elementos
do que pode ser o novo.

III
A ainda não é B
não da para qualificar.
É o A contido em B
ou B contido em A?

IV
O velho girino ainda é girino,
entretanto já tem os pés
que sustentarão o novo sapo.

Indagações profundas!

Não, respostas
Não! não adianta
Eu não as tenho.
Já repeti para você
Mais de cem vezes
Que não tenho!
Por favor não insista,
Não há resposta.
As estas sim, são muitas.
Não param de chegar
A cada uma que chega
Cria-se mais dez
Não insista
Não tenho respostas
Borbulham indagações;
Mas e o fazer, como fica?
Lembra da ultima reunião?
A de avaliação?
Esta mesma.
Não foi possível avaliar nada
Tínhamos tarefa para cumprir
Mas alcançamos os propósitos?
Isto merece resposta?
Só tenho perguntas
Indagações, pirocações
Me rodeiam, me norteiam
Me confundem, iludem.
Perguntas e mais perguntas,
Me de uma resposta se quer
Por favor não insista.
Já falei só tenho perguntas.
Mas será que tantas perguntas
Podem levar há respostas?
Será?

Ruptura

Na confusão imediata
Se expressa o ato burro;
Que no afobamento
Comete erros sem pensar.

Mas será que é possível (errar)
Errar um erro inocente?
Sem ter passado pela mente
Não captando o que está presente!

Cometendo velhos erros,
Acreditando na ilusão
De que a antiga forma melhorada
Será a nossa solução.

Na punhetagem ideológica;
Masturbando o ideal;
Nesta trilha não me encaixo
Não me prenderei ao morto
Para não carregar caixão...

No simplório ato do achar
Ocorre o afastamento da negação
Camuflando da visão
Aquilo que se propõe a negar,
O que já negou.

Perdeu-se na abstração
Provavelmente levou falta na discussão,
Pois do debate debatido
Deve não ter participado.

Ao não ranger o que se pensa
O que se pensa não se expressa,
Ficando no oculto, na não existência.
Assumindo a posição
De esbravejar sem direção.

(Está reflexão pode parecer cósmica, mas de cósmica de nada tem, Por isso é preciso não deixar de lado a concretude da materialidade dos fatos.)

Rascunho dialético

(Inspirado no aulas de vôo de Mauro Iasi)


Bela é a lagarta
Rastejando rumo, ao desconhecido;
Deixando seu rastro, belo
O mais belo dos vôos.

Contido no mais simples rastejar,
Rastejando sem destino,
Depara-se totalmente imóvel.

O casulo é belo!
Freado o movimento,
Foca-se na particularidade
Do imóvel rastejado;
Da imobilidade ex-rastejante,
Ganha os céus a borboleta.

Merece?

Merece, Ah... se merece
essa vida que você leva,
emprego, para que emprego?
Desocupado!
Educação para que?
Você é marginal mesmo!

Futebol isso sim você merece,
o jogador tem carro, ouro, dinheiro, luxo e fama
o torcedor hum...
estádio, briga, porrada da policia e ingresso.

Mundo globalizado trabalhador está ferrado.
Concordo!
Você pobre serve pra que?
Dar lucro para a burguesia.
Periferia é só alegria, então sorria!
da miséria, da fome, dos descasos e das injustiças
Tiraram memória, vitória, cultura e perspectivas.

Viver acomodado é mais fácil
ta ruim... É... mas ta bom...
melhor que nada.

R$350,00 vivem muitas famílias
com dignidade? Será? pense!
Festa pra cachorro, quem quer dinheiro?
Contraste? Sim! Dilema brasileiro.

Dia após dia, sol a sol não se iluda
não muda só piora,
entra ano sai ano
ta melhorando,
a burguesia acredita que sim.
Colégio particular, academia, você recusaria?
Acho que não...
Pobreza é epidemia.

Sua vida infelizmente é TV!
Uma mina de armadilha
Que pega e engana você.
Domingão: gugu, faustão e você!
Segunda: tela quente, Hebe e você!
Terça: casseta e planeta, cine espetacular e você!
Quarta: novelas, futebol e você!
Quinta: linha direta, jornal tudo a ver e você!
Sexta: globo repórter, tele de sucessos e você!
Sábado: zorra total, show do tom e você!
Na semana, Globo, SBT, Record e você;
Seguindo conforme rege o maestro.
A nação ta alegre e perfeita,
vida do pobre ou do rico, me diga?
Tua vida ta melhor que a minha?
Você ta alegre contente e sorridente;

Rindo da violência e desemprego do sudeste;
Rindo da fome e da seca do nordeste;
Dando gargalhada da miséria que a maioria vive!

Curtindo: xibom, tapinha, baba-baby e tudo mais,
Que esta em volta,
é confuso...

Na direita e na esquerda faltam parafusos
Políticos e partidos elitizados;
Povo enganado
Batizado, fé religião predomina a descrença
Licença posso expressar e dizer meu parecer
Nada de foice e martelo?
Criança na rua alicerce deste castelo
Amarelo de areia,
Ilusão da sereia...
Bela e bonita, porém ferida ou saída
É...
um sub-ser merece está vida?

Jura à AMADA

Ó querida amada
Estes versos são para ti.
Você sabe o quanto a amo
Que não posso viver sem ti.
O barro de sua face
Perpetua-se num descaso,
Vergonhoso de gerações em gerações.
Você tem um jeito de educar,
Que faz um pobre amar o outro
E ao mesmo tempo se matar.
Sem você as coisas param,
Pois tu, tem a matéria prima
Força de Trabalho em abundancia
Para movimentara a engrenagem...
Quem fará e servirá o almoço?
Quem construirá e pilotará o avião?
Quem erguerá e cuidará da mansão?
Se não forem seus filhos, ó minha amada.
A deixo nesta manhã de sexta-feira santa
Mas não se preocupe,
Apenas meu corpo ficará distante,
A minha alma continuará em ti.
Muitos, de você tem vergonha ou medo,
Por você sinto revolta!
Fique sabendo que tu és o motivo
De minha rima, poesia e literatura.
És o maior motivo de minha existência,
Sofro com sua agonia!
Vejo as portas fecharem
Mas tenho esperança
De que um dia. Há...! Um dia.
Seus filhos se levantarão!
Ao seu favor!
E por ti lutarão até a vitória!!!
Porém enquanto o dia não chega,
Cultivo a esperança,
De que na sexta e no sábado santo
Numa sala, confinado,
Aprendendo a ter perguntas
De como funciona a sociedade,
Não estarei sozinho,
De agora em diante
Quando entoar aos quatro cantos:
“Eu sou favela maluco,
Eu sou favela
Me ignore me critique
Eu faço parte dela...
Eu sou favela maluco
Eu sou favela
Ignorando ou criticando
Eu faço parte dela...”

Inspiração

Estava formosa
sim estava,
quase perfeita.
Naquela manhã fria
de sexta cinza,
com as pernas cruzadas
e olhar pensativo.
Discreta e serena,
sem perceber,
se encontrava
à encantar
passageiros
e a inspirar
poesia.

Dedicado á ...

Na metafísica dos astros
Lá está você presente
Juntos as estrelas
Do meu pensamento,
Elevando meu ser
A mais sublime questão
Entre a razão e o sentimento.
Ouve uma metamorfose
Tudo mudou de ângulo
As perspectivas mudaram
Mas o ser humano
Continua o mesmo
Ou será que mudou?

Brinde

Proponho um brinde
Ou melhor, vários brindes!

Um brinde a todos que
Ajudaram na gestação,
Um brinde a todos que
Trataram na fase de criança

Um brinde a todos que
Na adolescência ajudaram
A acalmar a rebeldia.
Um brinde a todos que
Não o renegam

Um brinde a todos nós
Que em algum momento
Estivemos presente em sua formação
Mesmo que hoje o negamos.

Um brinde a todos que
Lutam pela igualdade, liberdade e fraternidade,
fazendo reviver o sonho (concretizado) de Danton

Um brinde a todos que
Seguem a criatura, que fazem parte,
De uma esquerda liberal,
Que das cinzas fazem renascer
“O grande inquisidor”,
Que ao pressentir;
Que a “revolta proletária” está próxima.
Se posta contra ela ferozmente
Com suas artimanhas, seduções e crueldade,
Matando-a pela raiz

SAÚDE!

Aos da cultura.

Vamos pintar a favela
de azul, verde e roxo
ou sei lá, pode ser qualquer cor
o importante é limpar
a visão monocromática
dos tijolinhos baianos, a vista
para quem sabe assim
fazer nascer nos favelados, vida!
falta cor na favela
além das cores mais conhecidas
aquelas do dia-dia sofrido


Vamos, vamos levar o povo
ao teatro, porque não levarmos
o teatro ao povo?
Levar peças clássicas, o contemporâneas
e porque não peças pornôs
Afinal cultura nunca é demais

Não esqueçamos da musica
Sem Fank! sem pagode!
Sem rala coxa! sertanejo romântico!
O povo precisa ouvir Bethoven
Tom Jobim, Ravel, maracatu, Chico
viva os clássicos e o “verdadeiro popular”

Mas após terem estuprado
Com aquilo que julgam ser
Cultura de boa qualidade
O povo que julgam não ter vontade
Como irão fazer que o “povo”
Não seja mais povo
Que a sua realidade mude?

Pois no dia seguinte
Cada dito-cujo deste povo
Precisará pegar sua “maumita”
E continuará para outro a trabalhar
e nem tempo para se tornar culto
o povo terá?

Vazio

Sinto falta de algo

Algo que não sei o que é

Fico me perguntando

Pego - me muitas vezes pensando.

Pensamentos que me confundem,

Sonhos muitas vezes iludem.

A vida é complicada,

Desconfiadas são as pessoas

Pegadas ficam molhadas.

Não podemos parar,

Paro pra me perguntar?

Olhar através do horizonte

É bom e faz refletir.

Reflexão está minha,

Porque estás a existir?

No mundo marca presença,

Vive sem ter licença,

No peito deixa a vontade

De ao seu lado matar a saudade.

Dialética da flor

Dou-lhe uma flor
com sabor de despedida
que fere com espinho
causando a tristeza
que massacra a felicidade.

Dou-lhe a mesma flor
com sabor de construção
que indica paixão
brotando felicidade
e massacrando a tristeza.

Dou-lhe a mesma flor
que a você reflete em dor
afrontando sua essência
dando inicio a decadência
da relação mal começada.

Dou-lhe a mesma flor
que a você representa vida
construindo a alegria
afastando a decadência
da relação mal começada.

Engrenagem parte 1

Sinto minha orelha em sua boca;
Boca está que se fincou em seu pescoço;
Pescoço este, que sentiu sua língua;
Língua está que deslizou em minha perna;
Perna está que foi massageada pelos seus pés;
Pés estes, que segurei em minha mão;
Mão está em que repousou seus seios;
Seios estes, que aconchegaram-se em minha boca;
Boca está, que deliciou-se com seus dedos;
Dedos estes que envolveram meu pênis;
Pênis este que santificou-se em sua vagina!

Grilhões da Prática.

No imediatamente dado
A meteria é superficial
Não ocorre o salto
Qualitativo na visão
De quem olha para o fato
Sem chegar ao ponto crucial

Mas olhemos mais de perto
A menor de todas as partes
do todo para a parte
ou da parte para o todo?
Recompondo artisticamente
Varias partes em um todo, reluzente.

No caminho pragmático
Cheio das contradições
Se perdendo no fazer
Abominando o analisar
Vivendo um dia após o outro
Não há superação