quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A casa

É possível construir uma casa, sozinho?
Tenho dúvidas e inúmeras,
agora que a casa está despencando
sobre a minha cabeça, passam
muitas lembranças evasivas;
É verdade;
Mas que talvez
esteja nelas a resposta..

Fiquei eu perdido na construção,
que por muitas vezes balançava,
mas por estar crente que estava a construir,
não me ocorreu à percepção,
de que ela estava ensaiando, desabar.
Não de uma maneira repentina,
como parece-me agora.

Titubeou, sacudiu, balançou!
Dispersivamente me vem à lembrança
das fundações na época que se levantou a casa,
tenho a impressão que não estivera sozinho?
Solitariamente se sonha,
mas não se constrói casas,
muito menos escava fundações.

Entretanto tenho a sensação,
de que o teto não está em seu lugar devido,
não é possível levantar uma casa sozinho,
por mais ranzinza, frio, prepotente e arrogante,
que seja o peão,
ele não levanta vigas.
Sem alicerce e vigas da onde surgiu está casa?
É possível salva-lá?
Talvez seja.
Mas não se constrói uma casa sozinho?
Não! Mil vezes não!

Lembro dessa casa em pé
era bela, acolhedora, me afagava nas crises,
transbordava dela um aroma que fortificava o amor,
profundamente belo,
não tenho dúvidas.
É verdade que não era uma casa completa (perfeita),
mas alguém já viu uma casa completa?

A perfeição é divina,
por isso a buscamos.
Entretanto a casa de tantas felicidades
ameaça à desabar,
sobre nossas cabeças,
sim eu disse nossas,
não estou sozinho.
Não é possível construir uma casa sozinho.
Disto eu tenho certeza absoluta.
Ainda mais uma casa de tantas alegrias

A casa ainda ameaça a desabar
e da mesma forma que ela não foi levantada solitariamente,
avaliar suas condições e tomar uma decisão:
- Restaurar?
- Reconstruir?
- Ou a deixar desabar?
Também não pode ser feito solitariamente!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu, tu, eles, nós, neuras, nóias...

Certeza,
Se tem tanta
Certeza
De algo,
Que pensa ser certo
Então...
Por que foges?
Na verdade sempre
Continuará afirmando que
Não!
O casulo agora
Lugar comum.
Na privação buscaste
Convencimento.
Reprimindo e deslocando,
Hoje, amanhã e sempre.
Sintoma?
À certeza.
Dizem, do que é divino,
O homem não entende
Não é?
Mas porque
O que tem de divino
No humano,
O divino condena?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Melancolia

Feliz é o ser que nunca amou.
Infeliz é o ser que amou uma única vez.
Feliz é o ser que se apaixona,
Pois no fim de cada paixão renasce uma nova paixão.
Infeliz é o ser que jura amor eterno,
Pois consigo carrega por toda eternidade,
O sonho de cumprir sua jura!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Casualidade V

Luar, brisa noturna
Paixão do moleque perdido no mundo
O que será que aconteceu?
Culpados eu, você ou Deus.
Olhe para os lados e descubra, então
Só tenho perguntas,
Não encontro respostas
Que bosta!
O mundo real é mais dolorido,
Imagina agora pra este menino
Na rua sem proteção.
Por está razão pergunto a você
O que será que se pode fazer?
Estou aguardando você me dizer,
Olhe pro céu e peça a Deus,
Entretanto se ele não resolver
Psiu acorda!
Este problema também é seu
Entendeu?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Interrogação

Cidadão eu?
Quem disse?
O estado!
É verdade.
Cidadão livre, eu?
Tenho a liberdade para morrer de fome.
O que mais?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Casualidade IV

Luar Brisa Noturna, paixão
Do moleque perdido no mundo.
O que será que aconteceu,
Culpados?
Eu você ou Deus!
Olhe pros lados e preste atenção
Já reparou em cada esquina,
A droga esconde a tristeza
De nossas crianças, na rua...
Sem proteção!
Com o cachimbo de craque na mão,
Delirando que dias melhores virão.
Erga as mãos e reze a Deus,
Entretanto se ele não resolver
Psiu....
ACORDA!!!
Este problema também é seu,
Entendeu?

domingo, 6 de dezembro de 2009

Capital humano

Justiça, oportunidade e respeito
Gritam os jovens!
Gritam as crianças!
Gritam as mulheres!
Gritam os índios!
Gritam os negros!
Gritam os homossexuais!
Enfim gritam todas as minorias!
(mesmo sendo maioria)
Não!
Eles não gritam,
As ONGs gritam por eles.

- Vá trabalhar!
Clamamos,
Mas espera um pouco
E a multiplicidade?

O meu filho tem garantido
Educação, saúde, moradia,
Lazer, cultura, profissionalização...
Mas o seu,
Sabe como é,
Vai trabalhar, né!
“Mente vazia oficina do diabo!”

- Estamos reunidos aqui por amor!
- Como assim?
- Por amor a pobreza?
- O que está dizendo?
- Somos muito eficientes.
- Somos?
- E por isso estamos aqui.
- Engraçado, o pobre continua pobre.
Não é?

sábado, 5 de dezembro de 2009

Casualidade III

Aquele menino perdido no mundo
Onde ele está?
Onde ele foi?
A rua é o lugar dele
Dona Maria sua mãe,
Dele já se esqueceu, “tem”
Três filhos nos braços, “então”
Pensa que este morreu.
Mateus era seu nome
Agora apenas pivete.
Eu canto o canto da desgraça,
Burguesia se joga as traças.
São Paulo é um mar quando chove,
Principalmente de lágrimas.
Imagine você em uma praça
12 anos descalço e o papelão
Único abrigo.
E a cola que a fome engana.
Não tem Jesus!
Não tem meu Deus!
Não sei se você entendeu, compreendeu,
Sei que é difícil.
Se toca...
A musica também é um vício.
São Paulo, garoa, miséria. Então
já escolheu na batalha seu lado
Ou não?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Existe?

Divina comédia da vida
Não tem, não tem, não tem.
Não tem o que?
Emprego! Fome...
Dinheiro! Fome...
Educação! Fome...
Saúde! Fome...
O que tem?
Fome!!!

Divina comédia da vida
Se Deus existe e põe seu dedo neste mundo
Só pode ser comediante
Se divertindo com minha fome pedante!
Quando não como,
Alguém desperdiça
Tem alguém desperdiçando sempre

Divina comédia da vida
Trágica vida mortal
Culpados?
Adão e Eva!
O padre falou do pecado original
Atrás da maçã,
É que vive o marginal.

Divina comédia da vida
Cheio de nada,
Repleto de fome.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Casualidade II

Luar, brisa noturna, paixão
do moleque perdido no mundo,
o que será que aconteceu
culpado você, eu ou Deus?
Já reparou que várias esquinas
ampara meninos, ampara meninas
muitos são negros
libertos?
Aprisionados nas ruas escuras,
na vida eles tem o papelão
e o cachimbo sagrado do craque nas mãos.
A cada tragada, mulheres esquecidas;
A cada tragada, homens perdidos,
São Paulo é contraste constante.
O pobre tem cola!
O rico (boa) escola.
O pobre cadeia!
O rico não só no natal tem ceia.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Agonia

Quem é você?
- Pessoa?
- Quem é você?
- Ser humano?
- Quem é você?
- Substrato de pessoa?
- Quem é você?
- Sub-humano!?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Casualidade

(Moleque descalço / Criança calçada
Moleque perdido sem rumo.)


Luar brisa noturna, paixão,
Do moleque descalço perdido,
Sem rumo esperança na vida
Esquecida marginalizada, pela sociedade.
Quem é esta sombra, sem identidade.

Correndo de pé sujo sem poder estudar
Cursando os males da vida, paranóia agitar.
Traficante, traficando do moleque, ta cuidando
Ensinando pro moleque,
O que a burguesia ta mandando.

Seu Genivaldo é puro álcool
Dona Rita só faxina
Esta noite na favela foram vários na chacina
Na esquina o moleque, seguro lá estava
Cheirando sua cola no cobertor de papelão
Na favela o irmão dele, estirado lá no chão.